quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Nem tudo o que luz é ouro!

Allegorie der Tulipomanie, pintura de 1640.
Segundo o governo, uma das poucas vertentes positivas da evolução de Portugal, desde que começou a crise, tem sido o comportamento das exportações portuguesas que têm crescido continuamente. O crescimento da procura externa dos produtos portugueses tem permitido pensar que parte das nossas empresas, apesar de todas as dificuldades e da falta de apoio com que se deparam, conseguem ainda assim reunir forças para resistir, competir e vencer num mercado global.

Será afinal correcta a ideia dominante de que existem dois tipos de empresas em Portugal? As empresas que exportam e levam o país para a frente, e as pequenas empresas de vão de escada, condenadas à insolvência porque destinam a sua produção apenas ou sobretudo ao mercado interno?

Não podemos negar que o crescimento das exportações é um factor positivo, independentemente de onde brota, mas perguntemo-nos então que produtos portugueses estão a ser cada vez mais exportados.

1) A exportação de “Ouro, incluído o ouro platinado, em formas brutas ou semi-manufacturadas ou em pós” foi a que mais aumentou desde Janeiro 2010 a Agosto de 2012: passou de 216.417.862 € em 2010 para 519.377.830 € em 2011. O valor é de 491.637.220 € nos primeiros 9 meses de 2012.

Ouro não trabalhado? Proveniente das minas de ouro portuguesas? Ou antes originário da venda das peças de ouro por parte das famílias portuguesas, que tem crescido ultimamente?

2) Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (excepto óleos brutos) e preparações não especificadas … que contenham, em peso, como constituintes básicos = > 70% de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (excepto os que contenham biodiesel e resíduos de óleos)”: passou de 2.035.011.420 € em 2010 para 2.697.403.528 € em 2011. O valor é de 2.508.086.162 € nos primeiros 9 meses de 2012.  

Óleos de petróleo proveniente de Portugal não será com certeza.

3) Veículos automóveis, tractores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios”: passou de 4.353.486.181 € em 2010 para 5.341.050.026 € em 2011. O valor é de 3.468.309.558 € nos primeiros 9 meses de 2012.  

Será que podemos contar que os produtores de automóveis não acabem por deslocar as suas fábricas para países de mão-de-obra mais barata?

As pequenas empresas portuguesas precisam de todos nós para que possam crescer numa base consistente e tornar-se verdadeiros exemplos de exportação nacional!  

Fonte: INE/Estatísticas do comércio internacional (Outubro 2012)

Sem comentários:

Enviar um comentário